Toca-discos Rega
 

Conceito e preconceito Rega.

A meu ver os toca-discos (tds) da marca Rega são uma grande sacada. Para quem não tem conhecimento suficiente, ou mesmo para quem não pode, por motivos diversos avaliar as condições de um td vintage, os tds da Rega estão disponíveis para compra novos na loja. E como novos presumimos estarem OK e contarem com garantia. Venhamos e convenhamos que comprar tds através de sites de compra, sem antes poder ver e testar o aparelho constitui quase sempre uma situação temerária.


Mas a grande sacada da Rega não é só a oferta de produtos zero bala na loja, que isso diversas marcas oferecem, o lance principal é a simplicidade espartana desses tds, o tal do conceito que encabeça este texto.


A montagem e os ajustes necessários pra pôr um td Rega pra rolar são mínimos e basicões. A dita montagem do td chega a ser intuitiva, não precisa sequer olhar no manual, que segundo o presidente da VW do Brasil, um dos grandes problemas é que brasileiro não sabe nem ler manual.


O ajuste de peso se aprende em dois palitos. Eu mesmo tenho vivenciado a experiência de ensinar algumas pessoas a regular o peso de trilhagem das cápsulas e quase nunca preciso repetir a explicação, pois as pessoas pegam o jeito no ato. O ajuste do vertical tracking angle (VTA), propositalmente não existe nos tds da Rega, e calibrar o overhang da cápsula também não é nenhum bicho de sete cabeças.


Et voilá! O td está pronto pra rolar.

Claro que esse conceito simplório trás de roldão um tremendo preconceito, que diz respeito principalmente à precariedade das regulagens possíveis.


Pratos de MDF, subpratos de plásticão bravo, fontes de alimentação meia boca dizem respeito ao conceito Rega, que provoca o natural torcer de nariz dos audiófilos mais sofisticados. Mas pra contornar a situação, ao longo dos anos a própria Rega foi lançando modelos mais sofisticados, que trazem algumas das respostas às deficiências acima apontadas.


Possivelmente o pessoal da Rega nunca introduzirá um sistema de ajuste de VTA, pois para justificar a sua ausência, o dono da Rega – Roy Ghandi - inventou toda uma teoria de que a regulagem do VTA não se faz necessária.


Se o Roy lançasse um modelo com a possibilidade de regular a altura do braço, para que este fique em alinhamento paralelo perfeito ao disco que está a tocar (o tal do VTA), estaria desta maneira se contradizendo em teoria e desabilitando os outros modelos anteriores e inferiores. Mas colocar dois parafusos e fazer a torre variar de altura não constitui nenhum entrave incontornável, que firmas e técnicos independentes já não tenham implementado.

Os braços Rega são responsáveis por, no mínimo, oitenta por cento do sucesso alcançado pelos toca-discos, já que o projeto do mesmo é de uma incrível felicidade, acomodando e “traqueando” as mais diversas cápsulas, desde as mais atuais “moving magnet” até às mais modernas “moving coil”. Tanto é que esses braços, nas suas mais diversas variantes e versões, passaram a equipar a maioria dos toca-discos fabricados na atualidade.

A outra parte do entrave diz respeito ao que custam esses tds da Rega, que em minha opinião e de outras pessoas mais esclarecidas do que eu, os Rega oferecem muito pouco pelo que custam. Afinal, todo e qualquer Rega é basicamente uma tábua com um mancal nela incrustado. Mas nisso devo admitir que eu seja meio calça branca, ou como se diz atualmente: calça quadrada. Pois segundo a experiência de um amigo representante de marcas de áudio me confidenciou: “se fizer barato o povo não compra”. Vai entender? Então a tábua, especialmente no Brasil é cara, muito cara.

Por fim, mas ainda rolando, os tds da Rega são ótimos pra quem está iniciando ou iniciando novamente nas audições de LPs. Pra quem já se habituou à incrível praticidade do CD, atualmente já operando com arquivos em estado sólido, e em especial, para todos que não sabem e nem querem perder mais tempo com afinações, regulagens e calibrações. Os toca-discos da Rega são tipo plugue and play.

 

Artigo by RF